sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Sem carro

Faz quase três meses que não tenho mais automóvel. Não tenho um dedinho de arrependimento. Costumo ir caminhando para o trabalho (reconheço que isso é um privilégio). Mas para ir a outros lugares eu costumo usar ônibus. Quando tenho uma graninha e estou atrasado (ou quando é muito tarde) eu recorro ao táxi. Às vezes, ainda rola uma carona de um amigo generoso (e tenho muitos).

Claro que o sistema de transporte público ainda deixa a desejar. É verdade que é mais confortável enfrentar um engarrafamento no carro do que no ônibus. Mas não volto atrás na minha decisão. Tenho economizado um bom dinheiro ao me livrar do carro, ao passo que tenho vivido experiências "antropológicas" marcantes no interior dos coletivos.

Nos ônibus, eu vejo as pessoas sem o filtro dos vidros e das películas escuras; converso com elas; ensinam-me. Vejo gente na sua capacidade surpreendente de ser diferente.

Eu consigo ter algum prazer me deslocando de ônibus. Sim, tenho sim. O principal deles é a soneca que tiro quando consigo arumar um lugar pra sentar no PE-15 Boa Viagem ao voltar da praia nos sábados e/ou domingos à tarde. Sabe como é, né? Caldinho, peixinho, cervejinha, solzão. Tudo isso junto gera aquela modorra gostosa. Só acordo quando o busão chega na Agamenon e Sheila Bezerra me chama para descermos.

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