segunda-feira, 15 de julho de 2013

Mais uma sobre tempo

Ficando para trás
Sonhos e histórias
Dramas e glórias...
Mas o tempo refaz.

Palavras insuspeitas

Existem palavras insuspeitas, mas nem por isso menos fictícias tais como os pronomes possessivos e, pasmem, os pronomes pessoais do caso reto desde que o "eu" nem chega a ser sem o "tu" e vice-versa.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Cilada

Desvio de rota
Direção errada
Leva à cilada
E não tem volta

sábado, 6 de julho de 2013

Tempo

O que o tempo traz
Um dia ele leva
O que hoje apraz
Amanhã já enerva

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Sobre o caso Morales e Snowden

As autoridades políticas da França, Itália, Espanha e Portugal são espionadas pela CIA e ainda colaboram com o governo dos EUA. Quanta subserviência.

Holocausto brasileiro

Eu costumo compartilhar os textos de Eliane Brum. Este mesmo eu o compartilhei à época de sua publicação, isto é, meados de junho. Neste artigo, Eliane Brum recomenda a leitura do livro "Holocausto brasileiro" de Daniela Arbex. O livro resgata a história de um manicômio em Barbacena (MG) onde mais de 60 mil pessoas foram mortas ao longo de algumas décadas. Depois de ter lido o artigo de Brum, comprei o livro e ele foi a minha primeira leitura de férias. O texto de Arbex é um dos poucos esforços para tentar dar visibilidade à grandiosa tragédia que se passou na instituição manicomial mineira e em tantas outras do Brasil. A maioria absoluta das histórias são desoladoras e em muitas páginas eu parecia estar lendo o relato de Primo Levi (É isto um homem?) sobre a sua estada como prisioneiro em Auschwitz. Apesar de tanto sofrimento, todavia, às vezes também tinha a impressão de estar lendo o relato de outro prisioneiro do mais famoso campo de concentração nazista, o psiquiatra Viktor Frankl (The will to meaning), pois em ambos os casos, não obstante tanta crueldade, dor e desespero, havia ainda algum espaço para beleza nas ações de muitos indivíduos que estiveram presos nestas instituições cruéis. Recomendo a leitura do artigo e do livro.

http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/eliane-brum/noticia/2013/06/os-loucos-os-normais-e-o-estado.html

Previsão do tempo

Previsão do tempo infalível: pode chover.

Dever ser

Advogo em nome do que deve ser sempre que o que é não deveria ser.

Sobre o crítico

O crítico suspeita pensar além do que as multidões ignaras são dadas chegar. O seu prazer silencioso - em tempos de Facebook não tão silencioso assim - é crer-se superior zombando dos demais, ressaltando-lhes a estreiteza de perspectiva e a pequenez de espírito. Sua frustração permanente, contudo, é não poder conduzir as levas dos pobres desinformados para fora da caverna.

Não quero reivindicar uma posição analítica privilegiada, como fazem quase todos os críticos. Quero justamente dizer que a minha posição é mais uma entre tantas.

Futebol e protestos

Eu creio que um evento da magnitude da Copa das Confederações não deveria ter acontecido no Brasil. Não queria Copa do Mundo nem os Jogos Olímpicos no nosso país. Mas é fato consumado? Vou torcer pelos atletas brasileiros. Mesmo não desejando que a Copa das Confederações fosse no Brasil, eu acabei me entusiasmando e comprei um ingresso para assistir o jogo da Espanha contra o Uruguai. Devido ao contexto político e aos gastos na construção dos estádios, contudo, eu me desanimei e não fui ao jogo. Porém não deixo de torcer pelo Brasil quando ele entrou em campo. Sou alienado por isso? Segundo muitos dos meus amigos aqui do Face, sou e ponto final. De acordo com eles, o que me satisfaz é o circo. Sim, e quem vive sem seu circo? Quem vive sem seu multiplex, sem seu café chic, sem suas séries americanas, sem sua academia? Claro que o circo é necessário, mas não é suficiente. Não quero apenas circo, mas não quero passar sem circo. Querer o circo não me exime da responsabilidade de desejar e lutar por um Brasil melhor. Por isso, comemorar a vitória brasileira no futebol não quer dizer que não estou tentando dar a minha contribuição por uma sociedade mais justa.  30/06

Futebol e protestos

Eu creio que um evento da magnitude da Copa das Confederações não deveria ter acontecido no Brasil. Não queria Copa do Mundo nem os Jogos Olímpicos no nosso país. Mas é fato consumado? Vou torcer pelos atletas brasileiros. Mesmo não desejando que a Copa das Confederações fosse no Brasil, eu acabei me entusiasmando e comprei um ingresso para assistir o jogo da Espanha contra o Uruguai. Devido ao contexto político e aos gastos na construção dos estádios, contudo, eu me desanimei e não fui ao jogo. Porém não deixo de torcer pelo Brasil quando ele entrou em campo. Sou alienado por isso? Segundo muitos dos meus amigos aqui do Face, sou e ponto final. De acordo com eles, o que me satisfaz é o circo. Sim, e quem vive sem seu circo? Quem vive sem seu multiplex, sem seu café chic, sem suas séries americanas, sem sua academia? Claro que o circo é necessário, mas não é suficiente. Não quero apenas circo, mas não quero passar sem circo. Querer o circo não me exime da responsabilidade de desejar e lutar por um Brasil melhor. Por isso, comemorar a vitória brasileira no futebol não quer dizer que não estou tentando dar a minha contribuição por uma sociedade mais justa.  30/06

Dicotomias

Estou farto das dicotomias simplórias e tentarei evitar teorias conspiratórias.

Nesse ínterim

A vida é um ínterim
Entre dois sonos
Em que vieste até mim
Para formar o que hoje somos
 

30/06

P/ Sheila Bezerra

Paródia

Amor da minha vida daqui até a terceira idade, nossos destinos foram traçados lá na faculdade.

Vossa Exceleência

Às vezes, o que muito se afirma mais se duvida. É o caso, por exemplo, da irritante e desgastada fórmula "vossa excelência". Os parlamentares parecem não crer no que dizem, do contrário talvez não se repetissem tanto.
27/06

Protestódromo

Ouvi rumores de que Eduardo Campos vai criar o primeiro protestódromo do Brasil.
27/06

Grande Imprensa

É incrível como tem gente incapaz de questionar minimamente a grande imprensa. Esta, para a maioria, é mais digna de credibilidade que o Diário Oficial.

Sobre o ministro Joaquim Barbosa

 Texto escrito em 26/06



Ontem eu escutei pelo rádio uma entrevista com o presidente do Supremo Tribunal Federal, o ministro Joaquim Barbosa. Ele falou sobre sua conversa com a presidente da República a respeito do conturbado momento político que o Brasil está vivendo. Apesar das longas pausas, a voz do ministro me indicava certa serenidade. Gostei do conteúdo e concordei com quase tudo que ele disse acerca de suas propostas para uma futura reforma política. Chegando em casa mais tarde, assisti a entrevista novamente na íntegra, mas desta vez na tv e, para minha surpresa, embora o conteúdo e a voz fossem os mesmos, a entrevista parecia outra. A entrevista quando apenas ouvida me indicava segurança, tranquilidade. Quando vi as imagens, percebi como o ministro se encontrava nervoso. Um tique nervoso de piscar olhos o tempo todo (tique, aliás, que eu também já tive) parecia sugerir que por trás daquela fortaleza, havia um ser humano que certamente anda cansado, preocupado, pressionado etc. Sei que o que realmente vale é o que o ministro disse, e não como disse. Mas não dá para ignorar este aspecto do seu comportamento neste momento. Se você só escuta o áudio, sua impressão é uma (colocarei nos comentários o link para ouvir a entrevista completa). Se você escuta e vê a entrevista, sua impressão pode ser outra, pois raramente o ser humano centra-se apenas no conteúdo e desconsidera a forma. Se você apenas observa as imagens sem o áudio e não sabe que o homem que está falando é o mais alto funcionário do poder judiciário, será muito improvável que imagine a gravidade do tema, a contundência das ideias, a corajosa tomada de posição que o ministro exibe, pois ele parece estar demasiadamente nervoso e acuado. O vídeo a seguir (apenas um trecho da longa entrevista) mostra um homem que está lutando contra si mesmo para fazer o que precisa fazer. Algo nele o impele a calar-se. Mas também há algo, ainda mais forte, que o compele a falar. É claro que isso reverbera no corpo e não me surpreenderia que as famigeradas dores de coluna do ministro fossem uma somatização de toda essa tensão interior ou pelo menos que essa tensão interior potencializasse os sintomas de um problema de coluna realmente sério. Para finalizar, gostaria de dizer que minha intenção não é endeusar Joaquim Barbosa, mas justamente ressaltar sua humanidade. A tensão de que eu falo não é nada etérea, pois basta que lembremos que ele é um negro de origem pobre entre brancos de famílias geralmente abastadas. Sua história talvez o force a calar-se, mas a consciência do seu papel exige que ele fale e ele falou para quem quiser ouvir. Embora não endosse tudo que ele disse, não posso deixar de parabenizá-lo por suas posições corajosas.

Vinícius de Moraes

Vinícius, a poesia e a música foram o ápice da tua carreira diplomática. A arte irmana os povos. 24/06

Turista

O turista tem diante de seus olhos uma fruta. Pode até tocá-la para sentir sua viscosidade entre os dedos; pode ainda sequestrar-lhe o cheiro momentaneamente, maravilhar-se com seu odor. Mas não pode morder a fruta, saciar a tentação do paladar. O turista paga para viver experiências estéticas incompletas, mesmo assim certamente não há melhor investimento para o seu dinheiro e para o seu tempo. 24/07

Causa

"Minha causa é causar" - mote do momento.

Estratégia de protesto

Às vezes mil pessoas incomodam mais do que cem mil. Imaginem, então, 3 grupos de mil pessoas cada em lugares diferentes e estratégicos da cidade protestando simultaneamente a favor da mesma causa...  21/06

Acerca das impressões do protesto do dia 20/06

A sensação de ver tanta gente reunida (100 mil pessoas?) é estranha, confusa. Ainda estou tentando refletir sobre tudo que vi. Mas, no geral, acho o saldo positivo, apesar da pulverização de cartazes, ideias, objetivos. Fico me perguntando se em vez de uma nova mega passeata da qual participam indivíduos com as mais díspares reivindicações não precisaríamos organizar nos próximos dias dezenas de novas manifestações com pautas mais específicas e com propostas mais concretas. Não sei. Estou tentando atribuir significado a esta experiência toda. 20/06

Acerca violência nos protestos

Essas pessoas que estão tentando invadir e depredar prédios públicos não me representam. Invadir não é ocupar. Sou contra a primeira forma de ação pois ela geralmente vem repleta de destruição, violência, além de ser vazia de conteúdo, diálogo e projeto. Sou a favor do segundo modo de agir porque ele reivindica, pressiona e abre a possibilidade do diálogo e da transformação.
20/06

Vem pra rua que a rua é a maior arquibancada do Brasil

Rua não é arquibancada porque não somos plateia ou torcida, mas protagonistas.
20/06

Hipocondríaco

Já está doente quem vive permanentemente com medo de adoecer.
14/06

Mistério

Quem se leva muito a sério comete adultério contra aquelas partes de si que lhe são um mistério.

12/06