quinta-feira, 4 de julho de 2013

Sobre o ministro Joaquim Barbosa

 Texto escrito em 26/06



Ontem eu escutei pelo rádio uma entrevista com o presidente do Supremo Tribunal Federal, o ministro Joaquim Barbosa. Ele falou sobre sua conversa com a presidente da República a respeito do conturbado momento político que o Brasil está vivendo. Apesar das longas pausas, a voz do ministro me indicava certa serenidade. Gostei do conteúdo e concordei com quase tudo que ele disse acerca de suas propostas para uma futura reforma política. Chegando em casa mais tarde, assisti a entrevista novamente na íntegra, mas desta vez na tv e, para minha surpresa, embora o conteúdo e a voz fossem os mesmos, a entrevista parecia outra. A entrevista quando apenas ouvida me indicava segurança, tranquilidade. Quando vi as imagens, percebi como o ministro se encontrava nervoso. Um tique nervoso de piscar olhos o tempo todo (tique, aliás, que eu também já tive) parecia sugerir que por trás daquela fortaleza, havia um ser humano que certamente anda cansado, preocupado, pressionado etc. Sei que o que realmente vale é o que o ministro disse, e não como disse. Mas não dá para ignorar este aspecto do seu comportamento neste momento. Se você só escuta o áudio, sua impressão é uma (colocarei nos comentários o link para ouvir a entrevista completa). Se você escuta e vê a entrevista, sua impressão pode ser outra, pois raramente o ser humano centra-se apenas no conteúdo e desconsidera a forma. Se você apenas observa as imagens sem o áudio e não sabe que o homem que está falando é o mais alto funcionário do poder judiciário, será muito improvável que imagine a gravidade do tema, a contundência das ideias, a corajosa tomada de posição que o ministro exibe, pois ele parece estar demasiadamente nervoso e acuado. O vídeo a seguir (apenas um trecho da longa entrevista) mostra um homem que está lutando contra si mesmo para fazer o que precisa fazer. Algo nele o impele a calar-se. Mas também há algo, ainda mais forte, que o compele a falar. É claro que isso reverbera no corpo e não me surpreenderia que as famigeradas dores de coluna do ministro fossem uma somatização de toda essa tensão interior ou pelo menos que essa tensão interior potencializasse os sintomas de um problema de coluna realmente sério. Para finalizar, gostaria de dizer que minha intenção não é endeusar Joaquim Barbosa, mas justamente ressaltar sua humanidade. A tensão de que eu falo não é nada etérea, pois basta que lembremos que ele é um negro de origem pobre entre brancos de famílias geralmente abastadas. Sua história talvez o force a calar-se, mas a consciência do seu papel exige que ele fale e ele falou para quem quiser ouvir. Embora não endosse tudo que ele disse, não posso deixar de parabenizá-lo por suas posições corajosas.

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