quarta-feira, 21 de setembro de 2011

"Filosofia e autoajuda" e não "Filosofia é autoajuda"...




Começo este pequeno texto com uma afirmação contundente. Filosofia não é autoajuda. O que quer que seja a filosofia, ela não é autoajuda. Mas confundir as duas coisas é frequente demais no senso comum. Tomar a filosofia por autoajuda é realmente algo corriqueiro.

Autoajuda é um gênero literário que se autodefine. Mas a filosofia não tem exatamente o propósito de ajudar ninguém. É verdade que um dos temas clássicos da ética é a busca da felicidade, mas não nos termos que a autoajuda sugere, isto é, a partir do apelo quase exclusivo às emoções e abandono concomitante da reflexão mais rigorosa.

A filosofia está mais para um cisco no olho, como diria Machado de Assis (não a propósito da filosofia, é verdade...). A filosofia é busca, é questionamento, é discussão, abertura... Quando as soluções aparecem, não há redenção, porém acordos temporários, novas perquirições e diálogos.

A autoajuda é terapia, autoterapia. A filosofia, para existitr, não precisa se colocar a missão de ser terapêutica. A filosofia pode ser um veneno para as almas sedentas de elixires milagrosos.

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