terça-feira, 7 de junho de 2011

Pequeno discurso contra a ideia que afirma a inexistência da verdade ou de verdade absolutas

É um fato que nos meios esclarecidos ou pretensamente esclarecidos na sociedade brasileira há uma crença que virou lugar comum e afirma a inexistência de verdades inquestionáveis. Um conhecimento rudimentar de lógica já denuncia a inconsistência desta asserção que deseja ter status de verdade.

Para além disso, todavia, vale lembrar que a constatação de que os conhecimentos estão em constante processo de elaboração e que não raro se contradizem, refazem-se, ampliam-se etc não pode ocultar o fato de que existem sim ideias que devem ser consideradas absolutas, sob pena de, não sendo assim, tudo se esvaziar de sentido e toda tentativa de afirmação cair num abismo sem fim.

Descartes já demonstrou, por exemplo, que existimos. Mesmo que estejamos iludidos ou enganados acerca da nossa existência, nós existimos, posto que para nos enganarmos, precisamos, antes, existir. Verdade inconteste. Se há esta, por que não haveria outras. Creio que as há.

Mais um exemplo de uma verdade que não pode ser contestada por nenhum ser em pleno exercício das suas faculdades racionais: o nosso corpo é mortal. Morremos e priu. Contra aqueles que tentam refutar isto alegando a ressurreição, lembro que a ressurreição apenas é possível após a morte física.

Evidentemente, esta lista de verdades incontestes pode e deve ser aumentada. Mas creio que os dois exemplos citados já são suficientes para refutar a afirmação irresponsável de que não há verdade, mas apenas verdades.