quarta-feira, 9 de março de 2011

Aula de Sociologia - Fatos Sociais



Objetivo:

Mostrar para os alunos que boa parte dos sentimentos e pensamentos mais caros que cultivamos na verdade não são apenas nossos enquanto indivíduos únicos, mas são coletivos, isto é, compartilhados por quase todas as outras pessoas.

Alunos:

Jovens de aproximadamente 15 anos cursando o 1º ano do ensino médio numa escola particular do Recife.

Atividade:

Escrevi no quadro algumas perguntas, que são as seguintes: I - Você pretende ter filhos? Se sim, quantos? II - Que nomes você provavelmente usaria para chamar seu(s) filho(s)? III - Vindo a ter uma filha e condição financeira confortável, que presente você dará a ela no aniversário de 15 anos? IV - Você pretende se casar numa cerimônia religiosa? V - Na sua opinião, qual o livro mais importante do mundo?

Cada aluno registrou suas resposta no próprio caderno. Não foi preciso destacar a folha para contabilizarmos as respostas e analisá-las conjuntamente. Fiz mais algumas perguntas para a turma após as perguntas iniciais.

Para verificar as respostas da primeira questão, eu perguntei para a turma: quem não quer ter filhos? Em 5 turmas, cada uma com 50 alunos aproximadamente, no máximo 5 alunos responderam afirmativamente. Registrei a resposta no quadro. Em nenhuma turma havia mais de 10 alunos interessados em ter três ou mais filhos.

Com relação à segunda questão, perguntei: Alguém daria para o seu filho (a) um nome de origem estrangeira? Mais uma vez apenas 5 alunos (numa turma) responderam que sim. Perguntava ainda se alguém colocaria no filho algum nome que considera incomum, raro. Dois ou três alunos responderam afirmativamente em cada turma.

A respeito da terceira questão, eu já iniciava a nova pergunta assim: alguém não respondeu "festa" (baile) ou "viagem"? Quase ninguém levantou o braço.

Sobre a quarta questão, aproximadamente 25 % dos alunos não queriam se casar em cerimônia religiosa (chamo a atenção que a maioria dos quais eram meninos).

Acerca da última questão, quase unanimidade: a Bíblia foi o livro mais citado, embora a maioria não o tivesse lido (fiz questão de lembrar aos alunos a diferença entre o livro mais importante e o livro que eles mais gostaram de ter lido; isso talvez tenha induzido algumas respostas).

Terminada esta etapa, fiz algumas reflexões com os alunos. Perguntei-lhes, por exemplo, se eles achavam que as respostas seriam parecidas se eu tivesse feito as mesmas perguntas para jovens que frequentaram aquela mesma sala há cinquenta anos. Claro que responderam "não", o que me deixou feliz. Questionei também o porquê de mais meninos do que meninas não fazerem tanta questão de ter uma cerimônia religiosa para se casarem. Respostas muito boas foram surgindo. Fiz mais algumas observações, como a de que o livro mais importante talvez não fosse considerado a Bíblia caso estivéssemos no Oriente. Encerrei a atividade defendendo - a partir da nossa experiência e de mais alguns exemplos - a ideia de que somos muito parecidos.

Era o que eu precisava para introduzir a apresentação do conceito de Fato Social de Durkheim. Apostei que essa dinâmica poderia deixar menos abstratas as características de coercitividade, exterioridade e generalidade deste importante conceito sociológico.

Um comentário:

Rebeca Virna disse...

Parabéns pela abordagem!