sábado, 12 de março de 2011

Alteridade




Outro dia eu disse a um querido amigo (professor e pesquisador na área de filosofia) o que estava dizendo naquela semana em quase todas as salas de aula pelas quais havia passado:

- Não existe bicho mais estranho do que o próprio homem.

A conversação prosseguiu, aliás, não estávamos sozinhos. Ia um tópico, chegava outro e eu nem me lembrava mais do que havia dito sobre a nossa estranheza. De repente, o meu amigo retomou o tema. Disse algo do tipo:

- Já estamos inclinados a buscar a alteridade nos animais, então não nos surpreendemos tanto com eles. Por outro lado, nosso olhar não está tão inclinado a perceber a alteridade nos outros seres humanos. Por isso nos surpreendemos tanto uns com os outros.

Sua análise, além de brilhante, é um sinal claríssimo das habilidades filosóficas do meu amigo. Depois de uma hora conversando sobre a China e a Conchinchina, ele foi capaz de retomar um tema já deixado de lado com uma análise valiosíssima. Eu me orgulho dos amigos que tenho.

Nenhum comentário: