quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Combatendo

Bebo um trago de esperança
Banho-me no lago do otimismo
Lutando contra a ânsia
Combatendo o imediatismo

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O velho


Lá vai um velho a beber sozinho.
Enquanto bebe, chora e quase cai.
Será sua cicuta um reles vinho?
Lá vai a vida que se esvai...

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Corpo

Em homenagem ao meu cansaço, fiz esse poeminha pessimista para dele rir-me:

Este corpo que sou
É débil, muito frágil.
Num átimo soçobrou
Esta carcaça outrora ágil.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Livros não lidos

A noção de que não poderei ler todos os livros que gostaria não me pesou tanto desta vez.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Falso amigo


No riso do falso amigo
Costuma haver algo
Uma dose ou um pingo
De veneno amargo.

Pere(ser)


Há tempos nada o ser
Em fictícias vagas
Evitando o perecer
Fim de doridas sagas

sábado, 3 de dezembro de 2011

PALAVRA


A palavra que falo é incauta
Não diz e diz-me à revelia
Há sempre um quê que falta
Ou qualquer coisa em demasia

domingo, 27 de novembro de 2011

Indiferença

Indiferença é puro fingimento, máxima encenação ou coma.

domingo, 20 de novembro de 2011

Ismos

Ponho todos os meus ismos
Pra conversar no liquidificador
Bebo uma vitamina de ecletismos 
Com o afã de findar a dor

Engano pueril
Desejo comum
A dor é mil
O alívio é um

sábado, 19 de novembro de 2011

Derrida

Derrida não é derrisório... Lamentavelmente.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Recomendo: "Primeiro como tragédia, depois como farsa" de Slavoj Zizek






Indico o texto de Vladimir Safatle sobre o livro:


http://boitempoeditorial.wordpress.com/2011/06/20/primeiro-como-tragedia-depois-como-farsa-de-slavoj-zizek/


quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Literatura com trilha sonora

Existem uns carinhas como Bob Dylan cujas letras são poesias e cujas canções são poesias musicadas, isto é, literatura com trilha sonora.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Alguns encantos da última flor do Lácio

A palavrinha "já" significa agora, enquanto que a expressão "já já" em vez de significar algo como agora mesmo, isto é, no lugar de enfatizar o sentido de imediatez, quer dizer ou quer indicar algo a se realizar urgentemente, algo ainda não ocorrido mas por ocorrer, embora em tempo célere. A última flor do Lácio não se cansa de me encantar.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Máxima do mínimo esforço

Não faça agora o que você pode fazer depois.


*Desde criança venho lutando para desaprender essa ideia.

sábado, 1 de outubro de 2011

Filosofia e Sociologia no Ensino Médio: resposta ao texto de Reinaldo de Azevedo

No dia 27 do mês passado o jornalista Reinaldo de Azevedo escreveu um texto intitulado “O Brasil precisa de menos sociólogos e filósofos e de mais engenheiros que se expressem com clareza“. Farei alguns comentários acerca do referido escrito. O endereço eletrônico para quem desejar ler na íntegra tal artigo encontra-se na nota de rodapé.[1]
 
O texto de Reinaldo de Azevedo parte do pressuposto de que os professores de filosofia e sociologia são necessariamente de esquerda. Isto é um equívoco. Mesmo que a formação universitária nas humanidades e nas ciências sociais no Brasil indiscutivelmente seja influenciada por teorias que se aproximam por vezes das teorias políticas de esquerda, nem todos os profissionais egressos das instituições de ensino superior nas áreas em questão comungam de ideais esquerdistas, entenda-se, socialistas. Tal visão é reducionista. A pluralidade política existente na sociedade em geral é refletida na orientação ideológica dos estudantes universitários da filosofia, da história, da sociologia etc.

Para pensar, como Reinaldo de Azevedo pensa, que os professores formados nas faculdades de filosofia e de ciências sociais são necessariamente de esquerda é preciso imaginar que o perfil do docente destes cursos é o mesmo daquele que havia na época da ditadura militar, quando o clima político praticamente obrigava um profissional a tomar posição numa bipolarização ideológica em que ser contrário a ditadura  era sinônimo de ser comunista.

Para sustentar a ideia anterior é necessário crer, ainda, que o estudante universitário é completamente vulnerável às orientações político-ideológicas dos seus professores. É preciso acreditar que o estudante universitário não faz leituras diferentes daquelas recomendadas pelo seu mestre, não freqüenta outros espaços e convive com outras pessoas, em suma, é preciso crer que um curso universitário determina o modo de pensar de uma pessoa.

É essa ideia ainda que faz Reinaldo de Azevedo afirmar que as aulas de filosofia e sociologia no ensino médio seriam meros exercícios de proselitismo das ideologias esquerdistas. O proselitismo (ou a doutrinação) para ser bem-sucedido requer pessoas predispostas a acreditarem no que vão ouvir, requer pessoas que suspendam sua capacidade de emitir juízos críticos no que concerne ao que se lhes entrega retoricamente enquanto verdade apodítica. Mas mesmo que todos os professores de filosofia e sociologia do Brasil fossem marxistas, será que os alunos estariam tão bem dispostos a aceitar devotamente o catecismo professado pelos seus mestres? Não haveria jamais um catecúmeno indignado a destilar heresias em cada sala de aula deste Brasil? É lícito, portanto, considerar os alunos como tábulas rasas, isto é, como criaturas, como seres moldados, plasmados, forjados pelo criador onisciente e onipotente, a saber, o professor de filosofia? Não, não subestimemos nossos alunos, que, não obstante o baixíssimo desempenho nos instrumentos avaliativos nacionais e internacionais, não são criaturas opacas.

Outra conclusão equivocada no texto de Reinaldo de Azevedo é acreditar – mesmo que isto não esteja explícito – que estudar filosofia e sociologia no ensino médio leva as pessoas a quererem estudar essas disciplinas no ensino superior. Em Pernambuco, por exemplo, todas as escolas de ensino médio oferecem os componentes curriculares de filosofia e sociologia já há alguns anos e mesmo assim o número de jovens interessados em prestar vestibular para essas duas áreas continua sendo relativamente pequeno se comparado com a quantidade de alunos que se submetem à avaliação para cursar uma das engenharias (para regozijo de Reinaldo de Azevedo!). Várias vezes ouvi de jovens interessados em filosofia a justificativa  para escolherem outra área e essa escusa utiliza-se em geral do mesmo raciocínio utilitário de Reinaldo de Azevedo: “queria mesmo filosofia, mas não quero morrer de fome”.  Em suma, estudar filosofia e sociologia não aumentará necessária e significativamente o número de sociólogos e filósofos no Brasil. Além disso, mesmo que aumentasse, isso não precisaria significar uma redução do número de engenheiros que, aliás, vem crescendo bastante, segundo dados do Censo da Educação Superior de 2009.

Em 2005, segundo o Censo da Educação Superior, havia 264.894 alunos matriculados nos cursos de engenharia pelo Brasil afora. Já em 2009, esse número se eleva para 420.578. Isso significa um aumento de 59 % em apenas 5 anos![2] Imagino que o novo Censo que está sendo realizado reafirmará essa tendência de crescimento. A propósito, esse crescimento deve se manter a despeito da presença da filosofia e da sociologia no currículo do ensino médio. E mesmo que o número de estudantes de filosofia e sociologia nas faculdades e universidades aumentasse, muito dificilmente isso representaria a inversão da tendência de se formarem mais engenheiros no Brasil.

Minha opinião é que precisamos realmente de muitos engenheiros (mesmo que o conjunto das engenharias já figure na 4ª posição no ranking dos cursos que mais têm alunos matriculados nas Instituições de Ensino Superior do Brasil).  Mas precisamos de mais gente formada em filosofia e sociologia também, principalmente porque é muito comum encontrarmos profissionais sem essas formações atuando como professores nessas áreas, o que é preocupante. Se é possível encontrar um excelente professor de filosofia que jamais colocou o pé num curso de licenciatura, esta não é a regra. Sei que tampouco cursar a faculdade de filosofia é condição suficiente para ser um profissional de qualidade nesta área, mas é mais provável que este e não aquele se aproxime de algum suposto nível de excelência.

Bem, ainda poderia me deter em outros pontos para criticar as observações de Reinaldo de Azevedo, mas devido à extensão do texto (estou começando a duvidar que alguém vai conseguir fazer a leitura integral) passarei a comentar rapidamente algumas afirmações feitas pelo jornalista num segundo texto[3], no qual, mesmo havendo assertivas que gostaria de refutar, vou salientar apenas aspectos que me parecem bem fundamentados.

Concordo com Reinaldo de Azevedo acerca do absurdo que é reduzir a carga horária semanal de português e matemática para que a filosofia e a sociologia façam parte do currículo. Se o desempenho é insatisfatório nessas duas áreas, é então preciso melhorar a qualidade das aulas e não reduzir a carga horária das mesmas. Assim, a entrada da filosofia e da sociologia na grade curricular necessariamente aumentaria o tempo do aluno na escola. Estou mais uma vez de acordo com Reinaldo de Azevedo em que também é preciso definir “o repertório dessas aulas” de filosofia e de sociologia. O jornalista tem razão. O currículo deve ser pensado de maneira responsável, mas não concordo que a filosofia seja reduzida, por exemplo, à história da filosofia.


Há outros elementos tão ou mais importantes do que a própria história da filosofia que devem estar presentes nas aulas de qualquer escola do ensino médio, como é o caso da lógica. Exercitando-se em lógica, por exemplo, o aluno pode perceber equívocos numa argumentação, como me parece ser a de Reinaldo de Azevedo ao afirmar que a filosofia e a sociologia seriam obstáculos para que a escola brasileira fosse mais objetiva. Tal crença vem do lugar comum que coloca essas duas disciplinas como as áreas em que cada um pode dizer o que quer, em que cada um pode fazer sua própria viagem sem qualquer compromisso com a rigorosidade, a lógica, a realidade.



[1] Disponível em [http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/o-brasil-precisa-de-menos-sociologos-e-filosofos-e-demais-engenheiros-que-se-expressem-com-clareza/]
[2] http://download.inep.gov.br/download/superior/censo/2009/resumo_tecnico2009.pdf
[3] http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/a-revolta-dos-sociologos-e-dos-filosofos-ou-escola-pra-que/

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Invertendo o brocardo

Desde de criança tenho escutado um brocardo engraçado que diz o seguinte: "quando um não quer, dois não brigam". Penso,porém, que também é verdadeira a frase que se segue: "quando um não quer, dois não se amigam".

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Gêneros literários

Que bom que tenho um blog para escrever sobre o que me apetece. No fundo, posso até estar dizendo um monte de trivialidade para a gente muito esclarecida, inclusive porque dou pitaco num sem fim de temas. De qualquer modo, pode ser que ensine algo a alguém ou que aprenda algo de outrem que se digne a postar um comentário por aqui.

O que tenho a dizer é simples e serei direto, portanto. Não há gêneros literários em si mesmos bons ou ruins. Há bons livros e livros ruins em cada gênero existente. Creio que o que disse seja válido também para o cinema.

A minha afirmação anterior coloca um problema escorregadio, a saber, o de dizer em última instância que critérios devem ser levados em consideração para avaliar um texto qualquer como bom ou ruim. Aproveito que o tema é escorregadio e escapo desta questão (por ora...).

"Filosofia e autoajuda" e não "Filosofia é autoajuda"...




Começo este pequeno texto com uma afirmação contundente. Filosofia não é autoajuda. O que quer que seja a filosofia, ela não é autoajuda. Mas confundir as duas coisas é frequente demais no senso comum. Tomar a filosofia por autoajuda é realmente algo corriqueiro.

Autoajuda é um gênero literário que se autodefine. Mas a filosofia não tem exatamente o propósito de ajudar ninguém. É verdade que um dos temas clássicos da ética é a busca da felicidade, mas não nos termos que a autoajuda sugere, isto é, a partir do apelo quase exclusivo às emoções e abandono concomitante da reflexão mais rigorosa.

A filosofia está mais para um cisco no olho, como diria Machado de Assis (não a propósito da filosofia, é verdade...). A filosofia é busca, é questionamento, é discussão, abertura... Quando as soluções aparecem, não há redenção, porém acordos temporários, novas perquirições e diálogos.

A autoajuda é terapia, autoterapia. A filosofia, para existitr, não precisa se colocar a missão de ser terapêutica. A filosofia pode ser um veneno para as almas sedentas de elixires milagrosos.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Few words about stand up comedy

I don't know if anyone already said what I'm gonna say now, but I'm gonna say anyway. It's about stand up comedy.

I think that when we go to a theater to a watch a comedian we wanna see ourselves through different ways or different point of views. Deep inside we know this..

The comedians show our own life from new angles which aren't usual. That's why we think a stand up comedian can be so funny and also so smart (most of times...).

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Obra de arte

A obra de arte é a interseção entre diferentes dimensões da realidade.