domingo, 9 de maio de 2010

Natal

Espontaneamente não justificaria a minha ausência. Mas como vocês vão me importunar se não lhes responder, digo logo que não vou porque não desejo vê-los. É isso.

Com este pequeno texto, João respondeu o convite para a tradicional reunião natalina celebrada em família. A resposta, enviada no dia 23 de dezembro do ano passado, foi destinada ao seu irmão mais velho, em cuja casa se refestelavam ano após ano todos os membros do clã.

As várias tentativas de contato com João foram inúteis. Irmãos, sobrinhos, pai, mãe, todos, enfim, telefonaram para o inveterado solteirão que nesse período de festas costumava ser suprema alegria, animação encarnada.

Nos anos anteriores, João se encarregou diretamente dos preparativos. Toda a festa em cada pormenor era cuidadosamente organizada por ele. Seu zelo incluía, por exemplo, a compra dos quitutes, a decoração da sofisticada árvore de natal e até mesmo a fragrância do sabonete do lavabo da casa do seu irmão. Esse ritual que antecedia o ritual propriamente dito não se executava em menos de quinze ou vinte dias. Porém, no ano passado, João simplesmente desapareceu em dezembro.

No primeiro dia do último mês do ano, João avisou à família que se ausentaria por algum tempo e que talvez não pudesse tomar parte nos preparativos para a ceia natalina. Inicialmente, ninguém realmente acreditou que Joãozinho falasse sério.



Não continua...

2 comentários:

Anônimo disse...

sua historia é boa, mas o problema é que ela não possui um final.

Agnon Fabiano disse...

Quem lê uma história, anseia pelos momentos finais, pelo desfecho. O ansieo é tanto que se não houver um final, ele é imaginado e criado por quem lê. É assim que fazemos nos filmes de suspense antes do término.

Essa "sua" história são mil histórias; depende de quem lê. Ela é sua e de quem leu.

Um abraço, amigo.