domingo, 30 de maio de 2010

Comentário de Drummond sobre Augusto dos Anjos

"Li o Eu na adolescência, e foi como se levasse um soco na cara. Jamais eu vira antes, engastadas em decassílabos, palavras estranhas como simbiose, mônada, metafisicismo, fenomênica, quimiotaxia, zooplasma, intracefálica... E elas funcionaram bem nos versos! Ao espanto sucedeu intensa curiosidade. Quis ler mais esse poeta diferente dos clássicos, dos românticos, dos parnasianos, dos simbolistas, de todos os poetas que eu conhecia. A leitura do Eu foi para mim uma aventura milionária. Enriqueceu minha noção de poesia. Vi como se pode fazer lirismo com dramaticidade permanente, que se grava para sempre na memória do leitor. Ausgusto dos Anjos continua sendo o grande caso singular da poesia brasileira."

Carlos Drummond de Andrade

Fonte: Revista de História da Biblioteca Nacional. Ano 3, nº 32, maio de 2008, página 89.

2 comentários:

maybe disse...

I'm appreciate your writing style.Please keep on working hard.^^

Agnon Fabiano disse...

Só um homem genial para tornar as carnificinas, os cuspes, os vermes que roem os olhos, as chagas purulentas e tantos outros termos repulsivos tão poéticos!