terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Suicídio

Não quero (nem poderia) retirar da vida a dor. Imagino que a partir de alguma faixa de sofrimento (que ainda não sei muito bem qual é) eu não conseguiria continuar vivendo. Adoro viver, mas não viveria a qualquer custo, em qualquer circunstância.

Se limitações físicas severas me privassem definitivamente de pequenos prazeres cotidianos, eu colocaria um fim à minha jornada sem titubear. O que mais receio é que meu corpo possa vir a ficar tão debilitado que eu venha a depender totalmente da ajuda de alguém para finalizar a minha existência.

Já ouvi de alguns conhecidos a ideia de que quem dá cabo dos seus dias atenta contra a própria vida, desrespeita toda a humanidade. Creio que assim seja apenas quando o suicida é declaradamente misófobo. Para todos os outros casos, a explicação é excessivamente simplória por reduzir a complexidade dos motivos psíquicos e sociais que levam alguém ao ato mais extremo de sua vida.

Se tivesse tetraplegia, por exemplo, recusaria-me a ficar vivo. Rogaria a alguma alma caridosa que de algum modo não doloroso me fizesse morrer. Neste caso, retirar-me-ia sem ressentimentos. E àqueles que me dissessem que atento contra a vida, responderia-lhes que o meu ato seria decorrente do amor que nutro pela Vida e, mais especialmente, pela minha vida. Com dignidade, minha última atitude devolver-me-ia as rédeas da minha "existência".

domingo, 27 de dezembro de 2009

Vida e metáfora

Não se pode ter um lampejo de compreensão acerca do que é a vida sem o auxílio de metáforas, embora nenhuma (nem todas) possa traduzi-la completamente, até mesmo porque a vida é a fonte de qualquer metáfora. Assim ainda, digo que a vida é um nó cego. Cabe-nos desatá-lo.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Beleza e feiúra

Ninguém tem culpa por ser feio nem mérito por ser belo. Beleza não é virtude e feiúra não é vício.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Texto para ser lido quando se está com sono

Escrevi o texto abaixo há mais de dois anos e já nem me lembrava mais da sua existência. Não vale a pena buscar qualquer nexo entre as suas frases.


TEXTO PARA SER LIDO QUANDO SE ESTÁ COM SONO



No país das margarinas, lá onde a porca torce o rabo, havia um rapaz – de nome Michael – que gostava de andar de skate. Todas as vezes que ele se preparava pra pegar uma onda chovia forte e ele não podia jogar futebol. Então, totalmente decidido a ingressar na universidade para estudar halterofilismo, comprou um livro e arranjou uma namorada. Namorava onde morava, isto é, no rabo da porca e esse namoro, portanto, só podia dar em merda: nove meses depois e já não sabia andar de skate, além de levar caldo de tudo quanto é marola. Mas o mais mágico mesmo é que ele obteve o grau de doutor em halterofilismo neste período de nove e meia semanas de amor. Ninguém acreditava no que via e ele vivia desacreditando de si mesmo também. Até que um dia ele teve um sonho psicodélico: sonhou que vivia convencionalmente e que só fazia sexo ao telefone, sem nenhuma preocupação com a conta. A economia, aliás, ia bem, na medida do possível e o impossível é sempre relativo ao momento que, por sua vez, não vem ao caso. O caso, diga-se de passagem, é o do seu casario, tão monogâmico que não admitia casos extraconjugais. Tudo era uma questão de diálogo, como se vê, e ele permanecia acreditando que algo aconteceria, independente da fé que não tinha. Se tivesse de dormir, não ficaria acordado pensando em como seria se estivesse dormindo, mas acordado ficaria imaginando qualquer coisa outra que não o fizesse pensar em como o sono é revigorante. Seu sonho era, como logo se deduz, muito misterioso. Misterioso de um modo tal que não lhe ocorria querer saber em que se ...