sábado, 21 de novembro de 2009

Till - A saga de um herói torto



Peça maravilhosa apresentada ontem e antes de ontem no Festival de Teatro do Recife, na Praça do Arsenal da Marinha. Abaixo a sinopse da peça retirada do site da companhia que monta o espetáculo (Grupo Galpão - BH, MG). Espero que essa peça rode o Brasil e inteiro. Depois da sinopse, alguns comentários meus.

Um dia, na eternidade, o Demônio aposta com Deus que se tirasse do homem algumas qualidades, ele cairia em perdição. Deus, aceitando o desafio, resolve trazer ao mundo a alma de Till. Vivendo em uma Alemanha miserável, povoada de personagens grotescos e espertalhões, logo de início nosso protagonista é abandonado em meio ao frio e a fome e descobre que a única maneira de sobreviver naquele lugar é se tornar ainda mais esperto e enganador. Assim começa sua saga cheia de presepadas e velhacarias.Criado pela cultura popular alemã da Idade Média, Till é o típico anti-herói cheio de artimanhas e dotado de um irresistível charme. Um personagem que tem parentesco com outros tipos de várias culturas, por exemplo, que se assemelha muito ao nosso Macunaíma ou ao ibérico Pedro Malasartes. Além de Till e uma infinidade de rústicos personagens medievais, a peça conta também a história de três cegos andarilhos que buscam a redenção, sonhando alcançar as torres de Jerusalém e salvar o Santo Sepulcro das mãos dos infiéis.Num mundo em que é cada vez mais marcante a presença dos excluídos e dos desprovidos de qualquer suporte material, a parábola das aventuras do anti-herói Till Eulenspiegel torna-se de uma atualidade inquietante.

http://www.grupogalpao.com.br/port/espetaculos/sinopse.php?espetaculo=till

Há uma velha e bela metáfora que tenta descrever o caráter sui generis das artes cênicas. Ao fim de uma apresentação teatral, não obstante todas as emoções que tenha insuflado no público, a peça consome a si mesma como uma chama, não deixando, senão na mente de quem a assistiu, quaisquer resquícios de sua efêmera existência.

Esse caráter trágico do espetáculo cênico, no entanto, é um dos fatores que lhe conferem toda a magia que ele representa. Os espetáculos são singulares, não apenas da perspectiva da recepção, mas da montagem, da atuação. Ninguém jamais verá Till como Recife o viu na noite de 18/11, na Praça do Arsenal da Marinha, à beira do porto. As fagulhas que se precipitaram da fogueira acesa por Till na pele do pernambucano eram apagadas imediatamente pela brisa do mar dos arrecifes. Foi sensacional!

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