quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Estética - A obra de arte

Não pretendo definir o que é a arte - não aqui nem agora. Quero apenas compartilhar com quem me lê uma constatação que fiz há poucos dias. Há quem pense que arte é tudo que sensibiliza, mesmo que não tenha sido feito por um artista nem com esta intenção.

Uma cachoeira e um cardume de peixes a revolutear nas águas claras do mar seriam autênticas obras de arte porque têm o poder de emocionar, de aguçar a imaginação.

Se um macaco pincela uma tela e a tela pincela a sensibilidade de alguém, então ela é arte. Se o canto de um canário encanta, por que não seria ele artístico?

Essa concepção, que não me agrada, institui como critério único do que é arte a comovedora beleza. Seu epíteto poderia ser "o que é belo, arte é". Assim sendo, a existência da obra de arte pode prescindir da do artista - salvo se creia que exista um Artista Supremo.

Como disse, não direi o que é a arte. Mas me parece que o critério da beleza é insuficiente para defini-la porque é um contra-senso dizer que pode haver a obra sem o autor. Um cardume não cria arte, mas nada.

Outra inconsistência que essa noção institui, possivelmente sem se dar conta, é a de que se arte é o que é belo, arte e artista se identificam completamente. Mas uma cachoeira não é artista e arte ao mesmo tempo; ela é qualquer coisa que nem sei definir muito bem, mas não é artista nem arte, muito menos ao mesmo tempo.

Se a arte pressupõe, ou melhor, exige um artista que a tenha concebido, então seria possível ser um artista sem disso saber? E o macaco? Saberá ele que o pincel é pincel? Saberá ele algo além de que colocar algumas cores num papel significa colocar algumas bananas na barriga?

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