domingo, 16 de agosto de 2009

Política

Numa terra distante da nossa, vivia um rapaz de vinte cinco anos cuja vida consistia basicamente na leitura dos clássicos do pensamento da sua cultura. Ele era regrado, obstinado e infatigável. Devorava religiosamente duzentas páginas por dias e já se dedicava a este labor há exatos dez anos, de modo que neste intervalo leu um pouco mais de 730 mil páginas. Era, portanto, um sábio na apreciação da população.

De acordo com os costumes, o jovem sábio foi apresentado ao velho sábio daquela sociedade, para poder deste obter a consagração definitiva mediante uma complexa arguição. O diploma assinado pelo punho do mestre ancião concedia ao jovem os títulos de Mestre em Mistérios Insondáveis, Doutor em Ciência dos Paradoxos e Pós-Doutor em Caosmoslogia. Terminado o rito, o vetusto sábio retirou-se da sua função oficial de Asceta do Estado e deu posse, para substitui-lo, ao novo Asceta. Tudo isso se passou, coincidentemente, no mesmo dia em que na nossa própria pátria um brilhante professor passou a faixa presidencial para um operário sindicalista.

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