domingo, 9 de agosto de 2009

Cultura do medo

Hoje cedo - em pleno dia dos pais - fui visitar aquela que ao mundo me trouxe. Na entrada do edifício, fui abordado por uma senhora que me perguntou num tom um tanto quanto ríspido se lá eu residia, ao que lhe respondi que não, que estava a visitar a minha mãe. A mulher não se satisfez e me perguntou em que andar morava minha mama e eu não relutei em lhe dar a informação. Enfim, ela saiu e eu entrei. Com esse episódio banal me vieram dois pensamentos à mente.

O primeiro: quanta ingenuidade! Se eu estivesse mentindo, o que poderia a senhora fazer? Gritar, apenas. Ela não conseguiria me deter e muito menos impediria um bandido desejoso de lá entrar por qualquer má razão. O segundo pensamento me diz que aquilo foi uma reação autmomática, um impulso imediato decorrente do medo que nos envolve a todos nesses dias difíceis em que o nosso olhar já não mais é livre para simplesmente olhar, porque se tornou cativo ao ter de ser vigilante.

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