domingo, 5 de abril de 2009

Outro mundo

Ontem à noite, numa praça que atualmente está muito bela devido à reforma recente por que passou, a Praça do Derby, vi dois homens num banco, um apoiava a cabeça no colo do outro. Entre afagos gentis, conversavam, riam e... pareciam felizes naquela esquina da Terra, naquele pedacinho do Tempo.
Um desses rapazes me viu e se assustou um pouco quando deles me aproximei. Fiquei constrangido, confesso. Não por eles, mas por mim mesmo: constrangido por não ter cogitado verdadeiramente que um dia presenciaria uma cena como aquela e que a ela reagiria com a "naturalidade" do respeito; constrangido por saber que a minha figura representou uma ameaça ao bem-estar alheio, bem-estar que não me causava mal-estar algum, a não ser...
A não ser por mim mesmo. O mal-estar e o constrangimento que senti tinham como substrato os meus próprios preconceitos. Os rapazes não faziam nada de diferente que um casal apaixonado costuma fazer, não me ameaçavam, portanto. Seus gestos, como disse, eram carinhosos e como tais devem ser louvados e incentivados, mas jamais recriminados. Carinho, cuidado, respeito, atenção é tudo o que precisamos.
É verdade que ninguém é obrigado a gostar de ver dois homens ou duas mulheres de mãos dadas, beijando-se carinhosamente. Mas ninguém deveria ser obrigado a ocultar seus gestos de carinho e de amor para com outrem porque há quem se sinta afetado negativamente por isso.

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