domingo, 5 de abril de 2009

Boas Maneiras

Desde um tempo para cá, desde que Sheila apareceu em minha vida há pouco mais de dois anos e meio, para ser preciso, venho adquirindo uma percepção inusitada dos acontecimentos de um evento quase que banal. Percebo-o diferentemente graças às conversas que tive com Sheila. Se ela não abrisse a boca para reclamar e para me educar, certamente tudo estaria igual.
Estranha-me mesmo o fato de a mulher ser tratada como um mero apêndice do homem numa mesa de um bar ou na de um restaurante. Na absoluta maioria das vezes que saímos para jantar, os funcionários desses estabelecimentos se dirigem apenas a mim, quer para ouvir o que desejamos comer, quer para entregar-me a conta ou mesmo, pasmem, desejar um "boa noite". Tudo costuma acontecer como se a presença de Sheila - a mulher - fosse inexpressiva, ou melhor (dizendo), como se ela não existisse.
Com que espanto reagem alguns desses garçons quando Sheila paga a conta! Parece-me que isso - a mulher pagar a conta - não é mais algo tão incomum nos dias atuais, mas mesmo assim eles insistem no procedimento de descondideração, mais que isso, de desrespeito para com as mulheres.
Há, é verdade, uma penca de mulheres que não se incomodam com isso. Porém, se não se incomodam é porque sequer conseguem perceber-se desprestigiadas. Engolem o engodo das boas maneiras, da cortesia e demais látegos sutis.
A mim não me parece haver maior demonstração de boa educação que a de tratar com deferência equilibrada os outros e as outras.

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