sábado, 28 de fevereiro de 2009

Apenas um conto

Não se esqueceu de convidar quem estimava verdadeiramente. Somente dois não compareceram, talvez por não saberem do que se tratava. Lá pelas tantas, anunciou: “Amigos, obrigado por terem vindo. Revelo agora a razão desta festa que muitos crêem que seja intempestiva. De fato, por ora não celebro bodas com a vida, mas festejo hoje para anunciar-lhes, caros amigos, o fim de uma união que se estendeu por um pouco mais de trinta anos. Decidi pôr um fim neste consórcio que tenho eu cá com a vida. Estou satisfeito. Vi e vivi quase sempre bem e por isso não tenho do que me reclamar. Vocês foram maravilhosos e fizeram de mim um homem de sorte, mas infelizmente não posso garantir que os guardarei na lembrança. Bem, adeus!” O assombro foi geral: a bala atravessou-lhe o crânio.

Um comentário:

Agnon Fabiano disse...

Jefferson, você se revelou um excelente contista.

A sensação mais forte que tive ao ler seu conto foi querer saber algo que não foi revelado nele, isto é, fiquei curioso pra saber qual a decepção que personagem principal teve, pois, apesar das palavras otimistas sobre a vida, ninguém se suicida sem que tenha tido pelo menos uma decepção, que, inclusive, é a causa do ato.

Há no seu conto um pessimismo oculto que ninguém saberá. Talvez nem você saiba. Apenas o suicida sabia. Isso sim, foi algo que ele levou consigo.

Abraço.