domingo, 11 de janeiro de 2009

Contradição em termos

"Contemplação estética" é uma contradição em termos.

4 comentários:

Agnon Fabiano disse...

Como assim, Jefferson?
É que a Contemplação é o que o objeto "causa" em mim e a Estética é o que eu "faço" do objeto (minha impressão dele)?
(Desculpe a ignorância...)

Jefferson Góes disse...

Se entendermos “contemplar” por observar, ver, apreciar, de maneira absorta, um objeto qualquer, de modo que, ao fazer isto o contemplador creia que se mantém à distância daquilo que contempla, sem modificar às características constitutivas desse objeto contemplado, então tratar-se-á de uma contradição em termos porque a estética tem que ver com as sensações, com os sentidos. Por incrível que pareça, parece-me que quando contemplamos uma coisa qualquer, essa coisa pode, por mais apartada que de nós esteja, quer no tempo, quer no espaço, provocar-nos sensações e impressões profundas, verdadeiras marcas. Se, no entanto, tomarmos a palavra “contemplar” neste último sentido, parece-me que a expressão em questão deixa de ser uma contradição em termos e se torna um pleonasmo, porquanto toda contemplação venha a ser necessariamente estética.

O que você acha?

Jefferson Góes disse...

Agnon, isto é um mero exercício. Afirmei o que afirmei sem qualquer convicção. Mas pensei um pouco a respeito do que disse nos últimos dias. Tentei ratificar. Vejamos se tem algum fundamento.

Agnon Fabiano disse...

Jefferson, concordo perfeitamente com você nessa diferença entre Contemplação e Estética.
Como eu havia dito, "a Contemplação é o que o objeto causa em mim". A Estética "é o que eu faço do objeto".
Com isso, quero dizer que o tratamento que eu dou ao objeto na Contemplação e na Estética são opostos - daí eu concordar com você em dizer que é uma "Contradição em termos".
Acho que podemos dizer que, quando observo esteticamente, é como se eu fosse uma criança com um boneco na mão, que cria e dá vida ao brinquedo. Na estética, é como se o objeto fosse o “motor de arranque” para minhas atividades imaginativas, eu “faço coisas com o objeto”. Já a Contemplação é justamente o inverso, não soltamos as rédeas da nossa imaginação usando o objeto como veículo. Olhamos o objeto para que ele nos “faça algo”, e não para “fazermos algo com ele”. A Contemplação é uma entrega; olhar, escutar e receber. Nós nos retiramos do caminho.
Na Estética gostamos é das idéias que o objeto nos sugere e, assim, acabamos não percebendo o objeto em si.
Jefferson, você é bastante perceptivo. Eu não havia notado esse paradoxo e ainda não tinha pensado nessa diferença. Como você mesmo disse, não tenho grande convicção do que falei acima, mas é assim que vejo e, caso esse seja também seu ponto de vista (e acho que seja, pelo que você escreveu), ficarei mais tranqüilo com um aliado como você.
Você tem uma mente aguçada.
Um abraço, amigo.