terça-feira, 25 de novembro de 2008

Novo paradigma das artes plásticas


Eu ouvi da boca de quem muito prezo e confio um relato que me deixou estarrecido. Eis a história. Uma fulaninha lá da UFPE (ressalto que a fulaninha é altamente instruída e de titulação à toda prova) andou dizendo que ouviu dizer e que estava convencida do seguinte: quem não consegue apreciar a foto de uma batida de carros com mais intensidade e prazer do que a foto de uma paisagem é insensível, estética e pleonasticamente falando. Quem não vê beleza em ferragens retorcidas manchadas de sangue é um ignorante em matéria de arte.
Nunca ouvi nada mais certo. Ao saber disso, disse para mim mesmo: "Eureca!". Tive aquela sensação de que era o que sempre pensava, mas que jamais pude enunciar. Depois desta idéia tão simples e profunda resolvi mudar radicalmente a minha vida. Como quero unir o útil ao agradável, estudarei para tornar-me policial rodoviário federal. Farei das rodovias brasileiras o maior museu de arte do mundo. Ou seria melhor eu me especializar no ramo dos ferros-velhos?
O que me incomoda quanto ao novo paradigma das artes plásticas é aquilo que diz respeito à autoria. Como definir o autor de uma obra em que dois ou mais carros colidem? Seria por intermédio das leis de trânsito? Seria mesmo o Código Nacional de Trânsito o novo cânone das artes plásticas? Mas seria um cânone brasileiro ou universal?
Por fim, sugiro como lema da novo paradigma das artes plásticas o seguinte: "faça você mesmo!". É um lema batido, é verdade, mas, como nunca, tão significativo e realizável. Só não sei ainda como deveríamos chamar este novo tipo de arte...
PS: dedico este texto à fulaninha de que falei e acho que lhe enviarei, por ocasião do Natal que se aproxima, um belíssimo cartão contendo a imagem que ilustra este escrito. Obra inimitável e que nem mesmo Picasso seria capaz de pari-la.

2 comentários:

HoneyBee disse...

Rs. Certo! Então, na verdade, os chamados "curiosos" que se amontoam tão logo escutam um barulho de ferro sendo retorcido, na verdade são grandes apreciadores de arte. Ratos de museu.

Dodô disse...

grande jéferson... o sonho de todo estudante é entrar pra esse museu e envelhecer, com estabilidade, nessa arte.