quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Santa Paciência...


Li, ontem, consternado, que, num edifício simples na periferia de uma grande cidade alemã ocorreu um incêndio: nove pessoas morreram e todas eram turcas. Há suspeitas de que o incêndio foi criminoso. Mas nesta tragédia houve um evento maravilhoso. No auge do seu desespero, um homem soltou, do alto do terceiro andar, o seu filho - uma criança de colo - que, felizmente, foi acolhida pelas mãos de um bombeiro no térreo. O bebê passa bem, "graças a Deus".
"Graças a Deus" e "foram as mãos de Deus" foram as frases mais recorrentes dos/as leitores/as de um site de notícias brasileiro ao comentarem o evento noticiado. Algo me parece estranho, todavia. Fiquei com a impressão de que o fantástico salvamento do bombeiro obnubilou completamente a vista de muitas pessoas para a morte absolutamente agoniante das outras nove vítimas, cinco das quais também eram crianças (o que Deus estava fazendo que não pôde dar uma mãozinha a esta gente?)
Sinceramente, não vejo a mão de Deus no maravilhoso salvamento do bebê. Vejo as mãos de um homem treinado e pago para tentar salvar as pessoas. Tampouco consigo ver as mãos de Deus entre as que neste momento medicam os seqüelados do incêndio.
Eu prefiro queimar no fogo do inferno a acreditar num Deus desses...

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