sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Insights


Que coisa mais misteriosa é esse tal de insight! Ele entra na cabeça da gente como um raio; de repente tudo se ilumina. Tive um desses horas atrás e fiz questão de registrá-lo neste espaço que Deus sabe quem o visita!

Advirto, de antemão, àqueles e àquelas que pelejam contra o tempo que meu insight é uma coisinha filosofante, meio pretensiosa (ou seria pretensiosa e meio?). De antemão, digo também que acabei de ter outro insight enquanto escrevo e ele é mui válido pra "encher" lingüiça. Ele é: putz, como eu gosto de me delongar!

Well, como havia dito, linhas acimas, tive um insight. Mas antes de colocá-lo à disposição da curiosidade incomensurável de quem me lê, pergunto-me e estendo a questão a quem não tem nada melhor pra fazer do que despender sua valiosa visão sobre estas mal traçadas linhas: não parece que depois de nosso juízo haver sido iluminado por esse clarão repentino que é o insight segue-se um súbito blackout? É assim comigo, ao menos... Parece que se instaura um quebra-pau do cacete na minha cachola. Uma parte de mim é completa alegria por ter vislumbrado algo que até então lhe estava velado; outra parte de mim, porém, só quer ser a Tropa de Elite, estraga prazeres e coisas do tipo. Essa força das trevas alcunhada por Freud de Superego tenta colocar minha nova descoberta pra debaixo do tapete, mas quase nunca consegue.

Ok, é chegada a grande hora. Meu insight é o seguinte - deveríamos, em respeito à fluidez da realidade pronunciar a famigerada palavra "verdade" diferentemente do que temos feito até os dias hodiernos. Sei lá, talvez devêssemos dizê-la doravante mais ou menos assim: veidadri, vridadi ou coisa que o valha...

Nóia? Decerto. Mas uma nóia salutar (lembrei-me do professor Vincenzo que disse que somos todos - e eu acrescentaria todas - "normopatas". Minha nóia salutar tem um pingo de plausibilidade. Concedam-me um pouco mais de tempo para defendê-la com argumentos poderosos.

Vejam bem, lembrem-se de Heráclito. Ele diz (e todo mundo repete!) qualquer coisa sobre o rio -dá sede só de lembrar mais uma vez desta estória (ou seria História?). Mas calma, tá acabando. Dêem-me um pouco mais de atenção. Entonces, como tava dizendo, tudo passa, tudo muda, blá blá blá, logo não há fixidez na realidade; o que é já não é mais do jeito que era etc e tal. Logo, seria uma bela manifestação de humildade da nossa parte se nos resignássemos a abrir mão da pretensão de, com uma palavra, alcançar a verdade sobre as coisas. Não dá mesmo, nem fudendo! Proponho, portanto, que recriemos um novo termo para designar as nossas limitadas convicções; um termo que denote o caráter sempre provisório, insuficiente, das nossas elucubrações. Convenci alguém?

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