domingo, 20 de janeiro de 2008

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Mais uma vez me ocorre uma idéia incomum e corro para registrá-la nesta página virtual dedicada aos leitores e às leitoras virtuais. É uma idéia que, em princípio, parece macabra, tenebrosa, mas que, se analisada cautelosamente, revelará sua razoabilidade.
Eis, então, a minha idéia: penso que carregamos em nossa mente uma plêiade infinda de gente morta. Mas não me refiro necessariamente àqueles e àquelas que passaram dessa para uma melhor (talvez tenham passado para uma pior ou mesmo para canto nenhum). Creio que a maior parte dos cadáveres plantados em nossa cabeça estão vivíssimos. Quantas vezes não percebemos que um fulano ou uma fulana de quem gostamos bastante não se interessa mais por nós? É quando assumimos o luto de uma morte já ocorrida às vezes há muito tempo.
Acreditamos guardar no nosso intelecto uma cópia fiel de quem conosco se relaciona, mas penso que, muito provavelmente, não se trata senão de espectros. Essas imagens fantasmagóricas ficam encerradas em cada pedacinho da nossa cabeça e delas não nos livramos facilmente. Mas temos de sepultá-las. Contudo, só o conseguiremos quando percebermos que, por mais doloroso que isto seja, as pessoas nunca correspondem à imagem que delas nutrimos. Quer dizer, os mortos que se amontoam em nossa mente foram mortos por nós mesmos, pelo hábito horrendo segundo o qual tendemos a colocar em cativeiro quem cativamos. Se os víssemos como seres em processo, isto é, seres vivos, não os prenderíamos em nossas bem intencionadas imagens. Então, muito provavelmente teríamos a alegria de vê-los renascendo para nós.

Um comentário:

Sheila Bezerra disse...

Excelente divagação! Gostei demais. Tu és um tu ímpar...